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| Foto reprodução Lula e Flávio |
Panorama em 14 de setembro de 2026
A eleição presidencial brasileira entrou em sua fase decisiva. A propaganda eleitoral oficial começou em 16 de agosto, e o primeiro turno será realizado em 4 de outubro. Caso nenhum candidato alcance mais de 50% dos votos válidos, o segundo turno ocorrerá em 25 de outubro. (Justiça Eleitoral)
O Tribunal Superior Eleitoral confirmou 12 candidaturas à Presidência da República. São elas: Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Wilson Grassi (Democrata) e Clariana Barão (DC). (Justiça Eleitoral)
Pablo Marçal (PRTB), que chegou a integrar o cenário eleitoral, teve o registro negado pelo TSE e, portanto, não está entre os candidatos válidos. (Justiça Eleitoral)
1. A disputa está concentrada em dois polos
O principal dado das pesquisas de setembro é a consolidação de uma disputa muito mais competitiva entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
Na pesquisa Datafolha divulgada em 11 de setembro, Lula aparece com 39%, contra 35% de Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Augusto Cury aparece com 6%, Ronaldo Caiado com 4%, Renan Santos com 3% e Romeu Zema com 2%. (Folha de S.Paulo)
O resultado, entretanto, não significa que Lula esteja próximo de vencer no primeiro turno. Pelo contrário: considerando a margem de erro, o cenário aponta para uma eleição em que o segundo turno é o resultado mais provável.
A fotografia fica ainda mais interessante na simulação de segundo turno:
Lula: 46%
Flávio Bolsonaro: 44%
Branco/nulo/nenhum: 8%
Indecisos: 1%
Como a margem de erro é de 2 pontos percentuais, trata-se de empate técnico. (CNN Brasil)
A Quaest também encontrou empate entre os dois em eventual segundo turno: 41% para Lula e 41% para Flávio Bolsonaro. (Reuters)
Portanto, do ponto de vista científico, seria incorreto afirmar neste momento que qualquer um dos dois já está eleito.
2. Lula: candidato governista e principal nome da esquerda
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputa a reeleição tendo como principal ativo político a experiência de governo e uma base eleitoral historicamente forte em setores de menor renda e no Nordeste.
O Datafolha mostra uma divisão bastante clara do eleitorado.
Entre aqueles com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula aparece com 47%, contra 27% de Flávio Bolsonaro.
Entre eleitores com renda superior a cinco salários mínimos, ocorre o inverso: Flávio aparece com 47%, contra 27% de Lula. (Folha de S.Paulo)
Também há forte diferença regional. No Nordeste, Lula registra 53%, contra 25% de Flávio Bolsonaro. Nas demais regiões, a disputa é consideravelmente mais equilibrada. (Folha de S.Paulo)
- Politicamente, a campanha de Lula tende a enfatizar:
- continuidade das políticas sociais;
- emprego e renda;
- programas de transferência de renda;
- investimentos públicos;
- defesa da democracia e das instituições;
- políticas econômicas e sociais associadas aos governos do PT.
O principal desafio de Lula é transformar sua vantagem no primeiro turno em maioria suficiente no segundo, especialmente diante da força de Flávio em segmentos de renda mais alta, parte do eleitorado evangélico e setores conservadores.
3. Flávio Bolsonaro: a tentativa de reconstrução do campo bolsonarista
Flávio Bolsonaro (PL) é o principal adversário de Lula nas pesquisas e representa atualmente a candidatura eleitoral mais forte do campo político associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Sua candidatura tem um elemento particular: a eleição de 2026 ocorre sem Jair Bolsonaro como candidato, mas sua influência continua sendo um dos fatores centrais da disputa.
Flávio tenta transformar essa identificação política em uma candidatura presidencial competitiva, mobilizando temas como:
- segurança pública;
- redução do tamanho do Estado;
- crítica ao governo Lula;
- conservadorismo nos costumes;
- defesa de pautas econômicas liberais;
- críticas ao STF e ao sistema político;
- fortalecimento da direita e do eleitorado bolsonarista.
O Datafolha mostra que Flávio possui uma base especialmente forte entre os evangélicos: 50% contra 22% de Lula nesse segmento. Entre homens, Flávio também aparece numericamente à frente, embora dentro do empate técnico. (Folha de S.Paulo)
Outra pesquisa, BTG/Nexus, encontrou Flávio com 45% entre os evangélicos, contra 27% de Lula. No cenário nacional de segundo turno, porém, a pesquisa mostrou novamente uma disputa muito apertada: 46% para Flávio e 45% para Lula. (UOL Notícias)
Isso revela um dos principais fenômenos da eleição: o eleitorado conservador continua sendo politicamente relevante, mas ainda não é suficiente, sozinho, para garantir uma vitória presidencial.
4. O centro-direita tenta encontrar espaço
Um dos aspectos mais importantes da eleição é a dificuldade dos candidatos que procuram ocupar uma posição entre o lulismo e o bolsonarismo.
Nesse grupo estão principalmente:
Ronaldo Caiado — PSD
O governador de Goiás tenta apresentar uma candidatura associada à experiência administrativa, segurança pública, produção agropecuária e uma direita mais institucional.
Nas pesquisas nacionais, porém, ainda aparece distante dos dois líderes.
No Datafolha, Caiado registra 4% no primeiro turno. Em eventual segundo turno contra Lula, aparece com 41%, enquanto Lula tem 46%. (Folha de S.Paulo)
Romeu Zema — Novo
O governador de Minas Gerais representa uma direita liberal com forte discurso de redução do Estado, responsabilidade fiscal, privatizações e eficiência administrativa.
Seu problema eleitoral é semelhante ao de Caiado: apesar de possuir reconhecimento nacional, não conseguiu até agora transformar sua imagem em uma candidatura competitiva para o segundo turno.
No Datafolha, Zema aparece com 2% no primeiro turno e teria 39% contra 48% de Lula em uma eventual segunda rodada. (CNN Brasil)
Augusto Cury — Avante
Cury é um dos nomes que merece atenção porque aparece acima dos demais candidatos de menor expressão nas pesquisas.
No Datafolha, registra 6% no primeiro turno.
Mais interessante é o segundo turno: contra Lula, Cury aparece com 43%, enquanto Lula registra 45%. Apesar de ainda estar atrás no cenário testado, a diferença é pequena. (Folha de S.Paulo)
Isso faz de Cury, neste momento, um dos candidatos que podem ser considerados potencialmente competitivos em uma eventual recomposição do cenário, embora ainda esteja muito distante de Lula e Flávio no primeiro turno.
5. Renan Santos e os demais candidatos
Renan Santos (Missão) aparece como outro nome da direita que tenta disputar espaço fora do eixo tradicional PT x Bolsonaro.
Ele registra aproximadamente 3% no Datafolha e aparece um pouco acima disso em alguns agregadores.
Os demais candidatos — Rui Costa Pimenta (PCO), Samara Martins (UP), Hertz Dias (PSTU), Edmilson Costa (PCB), Wilson Grassi (Democrata) e Clariana Barão (DC) — possuem presença eleitoral significativamente menor nas pesquisas nacionais disponíveis.
Isso, entretanto, não significa que sejam politicamente irrelevantes.
Eles representam correntes ideológicas específicas e ajudam a demonstrar que a eleição brasileira não é literalmente composta apenas por PT e PL. O que ocorre é que a concentração do voto popular está fortemente direcionada aos dois principais polos.
O próprio TSE confirma que essas candidaturas estão oficialmente na disputa. (Justiça Eleitoral)
6. O que dizem os agregadores de pesquisas?
Um agregador atualizado até 12 de setembro, compilando 372 pesquisas, apresenta uma fotografia interessante da disputa:
Candidato Média estimada
Lula (PT) 41,5%
Flávio Bolsonaro (PL) 38,3%
Augusto Cury (Avante) 7,4%
Renan Santos (Missão) 4,7%
Ronaldo Caiado (PSD) 3,6%
Romeu Zema (Novo) 1,7%
Outros 2,8%
Esses números são de um agregador, e não de uma pesquisa individual. Por isso, devem ser interpretados como uma síntese estatística das pesquisas disponíveis, e não como uma previsão do resultado. (Plano Político)
A conclusão mais importante é que Lula e Flávio concentram aproximadamente quatro quintos das intenções de voto, enquanto os demais candidatos disputam uma parcela muito menor do eleitorado.
Esses números são de um agregador, e não de uma pesquisa individual. Por isso, devem ser interpretados como uma síntese estatística das pesquisas disponíveis, e não como uma previsão do resultado. (Plano Político)
A conclusão mais importante é que Lula e Flávio concentram aproximadamente quatro quintos das intenções de voto, enquanto os demais candidatos disputam uma parcela muito menor do eleitorado.
7. A eleição está se tornando uma disputa de rejeição?
Esse talvez seja o ponto mais importante para entender a eleição.
A disputa não está sendo definida somente pela capacidade de Lula ou Flávio de conquistar eleitores. Ela também depende da capacidade de cada um de impedir que o adversário conquiste os eleitores independentes.
Em outras palavras:
Lula precisa ampliar sua vantagem fora de sua base tradicional.
Flávio precisa convencer eleitores que rejeitam o bolsonarismo, mas também não desejam a continuidade do PT.
Esse é justamente o espaço que candidatos como Caiado, Zema, Cury e Renan Santos tentam ocupar.
8. Os principais temas da campanha
Até o momento, cinco grandes eixos estruturam a eleição.
Economia
Inflação, emprego, renda, impostos, juros, dívida pública e tamanho do Estado são temas fundamentais.
O governo Lula tenta explorar resultados econômicos e sociais positivos; a oposição procura enfatizar custo de vida, carga tributária e problemas fiscais.
Segurança pública
É um dos temas com maior capacidade de favorecer candidatos da direita.
Flávio Bolsonaro e outros candidatos conservadores procuram transformar segurança, combate ao crime organizado e endurecimento penal em prioridades eleitorais.
STF e instituições
As relações entre Executivo, Congresso e Supremo Tribunal Federal ganharam grande espaço na campanha.
Candidatos como Flávio, Zema, Caiado e Renan Santos têm feito críticas ao STF, enquanto Lula e setores da esquerda enfatizam a defesa das instituições democráticas.
A crise envolvendo o Banco Master e o STF também entrou no discurso de vários presidenciáveis nos últimos dias. (Folha de S.Paulo)
Programas sociais
Esse é um dos principais ativos eleitorais de Lula.
A capacidade de preservar programas de transferência de renda e políticas voltadas aos setores mais pobres continua sendo importante para sua base.
Conservadorismo x progressismo
Costumes, religião, aborto, armas, família e direitos civis continuam funcionando como importantes marcadores eleitorais.
Os dados do Datafolha mostram claramente a dimensão religiosa dessa divisão: Lula tem vantagem entre católicos, enquanto Flávio apresenta vantagem expressiva entre evangélicos. (Folha de S.Paulo)
9. Leitura da Redação Caliente:
A eleição de 2026 caminha para um confronto Lula x Flávio Bolsonaro, mas ainda não existe segurança estatística para afirmar quem vencerá o segundo turno.
A primeira conclusão é que Lula continua sendo o candidato numericamente mais forte no primeiro turno.
A segunda é que Flávio Bolsonaro conseguiu transformar a sucessão de Jair Bolsonaro em uma candidatura eleitoral competitiva.
A terceira é que o segundo turno está completamente aberto, porque as pesquisas recentes colocam Lula e Flávio dentro da margem de erro.
A quarta é que existe um eleitorado intermediário considerável, atualmente distribuído entre Cury, Caiado, Renan, Zema e outros candidatos. Esse grupo pode ser decisivo caso a eleição chegue à segunda rodada.
E a quinta é que a campanha ainda pode mudar bastante nas próximas três semanas. O primeiro turno ocorre somente em 4 de outubro, e acontecimentos políticos, econômicos, debates, propaganda eleitoral, denúncias e desempenho dos candidatos podem alterar a decisão de parte do eleitorado.
As informações sobre candidaturas e calendário foram conferidas prioritariamente no Tribunal Superior Eleitoral, enquanto os dados de intenção de voto foram confrontados entre Datafolha, Quaest, Palver, BTG/Nexus e agregadores. (Justiça Eleitoral)
Por: Redação Caliente FM Sobral

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